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A Internet é um lugar que vale a pena!

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A Internet é um mundo de oportunidades, um lugar que vale a pena! Esta foi a grande conclusão do Seminário Dia da Internet mais Segura realizado no passado dia 4 de fevereiro no Fórum Picoas, um evento organizado pelo Consórcio Centro Internet Segura em colaboração com a Fundação PT.

A iniciativa envolveu académicos, psicólogos, forças de investigação criminal, associações juvenis, media, entre outros especialistas, na discussão sobre os desafios que a utilização da Internet suscita no comportamento das pessoas e, em particular, no dos jovens.

O Seminário abriu com as boas-vindas de Paulo Neves, Presidente Executivo da Portugal Telecom. O anfitrião realçou a importância de se dinamizar ações que promovam a utilização responsável da Internet, bem como a segurança e proteção dos dados que são disponibilizados online. A seguir, José Vítor Pedroso, Diretor-Geral da Educação, apresentou o Consórcio Internet Segura e a sua missão para a consciencialização da sociedade sobre os riscos da utilização da Internet. Destacou como áreas de intervenção do projeto a produção de recursos, a formação, a sensibilização e a dinamização de atividades. “Este é um trabalho que evolui e se adapta à tecnologia”, referiu o responsável pela Educação.

identidadedigital

Para falar de Identidade Digital, Luís Antunes, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, apresentou vários cenários representativos da vulnerabilidade a que os nossos dados pessoais estão sujeitos e do rasto digital gerado pela partilha de informação online. Alertou para a “importância de se controlar a nossa exposição na sociedade digital, pois todos os objetos à nossa volta estão continuamente a partilhar informação sobre nós, que é preciso controlar, anonimizar e até baralhar”. O investigador do INESCTEC apresentou algumas soluções no combate à fraude dos sistemas de autenticação e que são o foco da sua área de investigação, como por exemplo o programa OFELIA [Open Federated Environments Leveraging Identity and Authorization], financiado pela FCT.

Estavam lançados os dados para o debate sobre Privacidade e Proteção de Dados Pessoais com Jorge Duque, Investigador da PJ, Magda Cocco, Advogada VdA e Luís Antunes, moderado pela jornalista Fátima Caçador, do Sapo Tek. Questionados sobre os desafios que o ciberespaço ergue às políticas legislativas, os participantes apontaram a inexistência de consenso, a nível global, para a regulamentação sobre a privacidade dos dados. 

A Europa tem uma abordagem [nesta matéria] que não é culturalmente aceite em todos os países”, referiu Magda Cocco e “a lei europeia permite que os dados sejam transferidos para outros países desde que a Comissão de Proteção de Dados o autorize”. Apesar dos constrangimentos, a advogada considera que Portugal e a Europa dispõem de instrumentos jurídicos adequados para proteger a privacidade dos dados dos cidadãos e das empresas. Jorge Duque, por sua vez, considera que as autoridades deviam ter mais ferramentas e que é preciso mais celeridade no acesso à informação. O inspetor partilhou ainda informação sobre como as autoridades atuam em casos de identificação de suspeitos de pedofilia através da Internet.

Mentes e Sentimentos da Era Digital foi o tema do estudo sobre comportamentos online em jovens portugueses, apresentado por Ivone Patrão, docente e investigadora do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida. “Estar online é a principal atividade de muitos jovens”, o uso excessivo das tecnologias e o acesso aos meios e à Internet cada vez mais cedo e sem supervisão parental estão na origem de alterações do comportamento e humor de muitos jovens. E não só, obesidade ou magreza extrema são também algumas das consequências desta exposição excessiva à Internet. Os rapazes são mais “dependentes” dos jogos online, as raparigas preferem as redes sociais. Estes jovens passam por dia, em média, 6 horas online.

Este é o retrato da Geração Digital em risco e o tema que serviu de “combustível” ao próximo debate moderado por Rute Sousa Vasco, do SAPO: “Impactos da geração digital: novos perfis, novos desafios!”. Participaram na discussão do tema, Susana Carvalhosa, do ISCTE, Isabel Baptista, do Centro Nacional de Cibersegurança e Paulo de Jesus, da Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (ARS Alentejo).

Numa abordagem de prevenção, Susana Carvalhosa acredita que a educação para “saber respeitar o outro” é fundamental para evitar comportamentos abusivos e hostis entre os jovens. A investigadora explicou o âmbito do projeto que está a desenvolver no Centro de Investigação e Intervenção Social (IUL), – ParentNets.com – dirigido aos pais e a todas as pessoas com responsabilidades na educação e formação de crianças e jovens. O site disponibiliza material informativo sobre Internet, redes sociais e tecnologias.

Isabel Baptista alerta que “ninguém está [totalmente] seguro online” e, por isso, a cidadania digital deve ser fomentada nas escolas e junto das famílias. Ao nível da sensibilização, a responsável pela área de awareness, considera que os seniores são o grupo mais exposto aos riscos da Internet e sem informação crítica.

Há 20 anos falávamos de toxicodependências. Para dar resposta às problemáticas daquele tempo criou-se o Instituto das Drogas e da Toxicodependência. Hoje falamos de dependências e os serviços estão a reorganizar-se para fazer face aos novos desafios”, referiu Paulo de Jesus na sua intervenção. Hoje, como há 20 anos, acredita-se que o fator prazer está na base da dependência e as tecnologias proporcionam satisfação. O problema surge a partir do momento em que a procura pelo prazer se torna uma constante na vida dos jovens. Para o técnico e pedagogo, “não se pode diabolizar as tecnologias” e a “escola está sobrecarregada de recomendações”, é preciso atuar no espaço familiar, no espaço virtual e em todos os espaços onde os jovens se encontram.

saferinterday

A manhã encerrou com as recomendações dos representantes do Consórcio Internet Segura:

Os pais têm menos noção dos perigos da exposição online”, Vânia Neto, Microsoft.

A Sociedade ainda não está preparada para dar resposta a estes desafios!”, Jorge Queirós, IPDJ.

A internet é o lugar onde os portugueses do futuro passam muito tempo e vão passar ainda mais. (…) A internet é um lugar que vale a pena. É preciso promover a segurança e a utilização positiva da internet.”, João Carlos Sousa, DGE.

Reforçar a cooperação nacional no sentido de uma melhor promoção da Inclusão e Literacia Digital”, Ana Cristina Neves, FCT.