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Cientistas conseguem mais três prestigiadas bolsas ERC para Portugal

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O Conselho Europeu de Investigação (ERC) atribuiu três bolsas Starting Grants à investigação portuguesa. Dois cientistas portugueses e um israelita, a desenvolver investigação em Portugal, viram os seus projetos distinguidos através da atribuição destas prestigiadas bolsas, que financiam até aos 1,5 milhões de euros cada projeto, por um período de 5 anos. Os resultados foram oficialmente comunicados pelo ERC no passado dia 4 de dezembro.

Vanessa Morais e Cláudio Franco, ambos Investigadores FCT, desenvolvem os seus projetos de investigação no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e Noam Shemesh é investigador Centro Champalimaud para o Desconhecido.

Vanessa Morais investiga o controlo de qualidade e conservação das mitocôndrias nas sinapses – as junções entre células nervosas – partindo da hipótese de que a mitocôndria sináptica adquiriu mecanismos específicos de controlo de stresse localizado e que a disrupção desses mecanismos contribui para a neurodegenaração. O estudo que desenvolve pretende então revelar as propriedades moleculares específicas das mitocôndrias sinápticas e fornecer o conhecimento necessário para melhor compreender o seu papel nas doenças neurodegenerativas. Vanessa Morais afirma que “esta bolsa Starting Grant do ERC garante-me os recursos necessários para formar a minha própria equipa de investigação, tornar-me uma investigadora mais autónoma, dedicar-me totalmente à ciência e ir mais longe na minha paixão por compreender e desvendar os mecanismos moleculares subjacentes à neurodegeneração”.

Claudio Franco

Cláudio Franco investiga a importância da polarização e movimento das células que revestem os vasos sanguíneos na formação da rede vascular hierarquizada de artérias, veias e capilares. Dada a relevância da estrutura hierárquica da rede vascular na fisiologia humana – os aneurismas e as retinopatias diabéticas, por exemplo, resultam de anomalias no estabelecimento da rede vascular – esta pesquisa permitirá definir bases para o desenvolvimento de novas terapias para as doenças associadas a distúrbios vasculares. Para Cláudio Franco “é uma grande honra ser um beneficiário da ERC Starting Grant, porque me garante os meios e a liberdade para desenvolver projetos de pesquisa desafiantes, com a perspetiva de virem a ter um impacto duradouro na sociedade”.

Noam Shemesh

A bolsa Starting Grant atribuída a Noam Shemesh deve-se à sua contribuição para uma inovadora aplicação da imagiologia por Ressonância Magnética Funcional ao estudo da função neuronal, em estados de doença e de saúde. O investigador prosseguirá o seu trabalho de modificar a técnica, de modo a ser possível seguir diretamente a atividade das células nervosas. Noam Shemesh pretende com esta investigação responder à questão “como é que o nosso cérebro gera comportamento?”, através do estudo da relação entre o comportamento e o circuito neurológico subjacente.

Neste concurso, o Conselho Europeu de Investigação (ERC) distinguiu 291 projetos (entre 2920 candidaturas recebidas), o que equivaleu a um total de 429 milhões de euros de financiamento para a investigação científica na Europa. Desde o início dos concursos ERC, em 2007, foram atribuídas 56 bolsas ERC a investigadores baseados em centros de investigação portugueses: 33 Starting Grants (para investigadores com 2 a 7 anos de experiência pós-Doutoramento ); 13 Consolidator Grants (para investigadores que tenham entre 7 a 12 anos de experiência pós-Doutoramento) e 10 Advanced Grants (para investigadores séniores, internacionalmente estabelecidos na sua área de investigação).

(Créditos imagens: Instituto de Medicina Molecular e Centro Champalimaud para o Desconhecido)