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Cinco novas Starting Grants do Conselho Europeu de Investigação para investigadores em Portugal

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A divisão celular, bactérias resistentes a antibióticos, o controlo de movimentos coordenados e o desenvolvimento do timo. São estes os temas de estudo dos cinco novos vencedores, em Portugal, das prestigiadas Starting Grants do ERC – European Research Council.

Nuno Alves e Ana Carvalho (ambos no Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto), Ana Cecília Roque (da UCIBIO@REQUIMTE da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa), Raquel Oliveira (do Instituto Gulbenkian de Ciência) e Megan Carey (da Fundação Champalimaud) receberão em média 1,5 milhões de euros cada, para durante cinco anos desenvolverem os projetos que foram aprovados pelos painéis altamente competitivos a que os submeteram.

Estes cinco cientistas procuram respostas para alguns dos maiores desafios das suas respetivas áreas científicas. Os resultados que obtiverem poderão levar a grandes avanços para melhor se compreender a saúde e algumas patologias, como as doenças infecciosas, o cancro, a autoimunidade e doenças neurológicas motoras.

Ana Carvalho e Raquel Oliveira interessam-se ambas pelos processos complexos e finamente regulados que ocorrem durante a divisão celular, no processo de mitose. Raquel irá investigar resultados recentes que sugerem que, ao contrário do que se pensava, os cromossomas não são observadores passivos durante a mitose, mas antes desempenham um papel mais ativo na sua separação, influenciando até os mecanismos de supervisão do processo de divisão celular. Irá investigar de que forma anomalias estruturais nos cromossomas podem levar a erros durante a mitose e qual o seu impacto sobre o desenvolvimento de um organismo (neste caso, a poderosa mosca do vinagre, o seu modelo de estudo). Já o trabalho de Ana Carvalho incide sobre as fases finais da mitose, depois de os cromossomas se terem separado, na forma como é regulada a formação de um anel contráctil que divide o citoplasma da célula mãe para se formarem duas células filhas, cada uma com o seu conjunto de cromossomas.

Nuno Alves escolheu como órgão de estudo o timo, onde se geram e amadurecem os linfócitos T. Estas células do sistema imunitário reconhecem e atacam agentes patogénicos, sendo, no entanto tolerantes ao próprio organismo onde se encontram. Os linfócitos T maturam (diferenciam-se) em micro-ambientes do timo, revestidas pelas chamadas células epiteliais tímicas. Nestes ambientes as que reconhecem o próprio organismo são eliminadas, restando apenas as que poderão reconhecer patogéneos. Quando estes processos são perturbados, surgem situações de imunodeficiência ou de autoimunidade. O objetivo do Nuno é de estudar estes microambientes, em particular os mecanismos moleculares e celulares que controlam a renovação das células progenitoras das células tímicas epiteliais e o seu efeito sobre a diferenciação dos diferentes tipos de linfócitos T. Com este conhecimento, poderá ser possível modular estes processos, com impacto para as ciências da saúde.

O desafio de Ana Cecília Roque é o de desenvolver ferramentas que permitam a rápida identificação de bactérias resistentes a antibióticos – uma ameaça global que se espalha a um ritmo alarmante. A sua abordagem insere-se numa nova área de diagnóstico, baseada na detecção de metabolitos microbianos voláteis. O seu grupo descobriu recentemente uma nova classe de materiais que respondem a estímulos e que demonstram grande potencial para fazer avançar o campo da detecção por odores. A sua investigação poderá levar à identificação rápida de bactérias patogénicas, incluindo as que adquiriram resistência alargada a antibióticos, com grande impacto sobre o controlo de doenças.

Megan Carey é a única estrangeira no grupo, mas está já há alguns anos no Programa Champalimaud de Neurociências. Com o seu financiamento ERC irá continuar a investigar o funcionamento do cerebelo, especificamente, para tentar identificar quais os circuitos neuronais no cerebelo que contribuem para uma locomoção controlada. Espera conseguir estabelecer uma relação causal entre as atividades registadas em circuitos neuronais específicos e o controlo de movimentos coordenados. Estas correlações poderão abrir caminho a melhor controlar movimentos em situações de doença.

Estes cinco novos vencedores ERC juntam-se a outros 36 que, entre 2006 e 2013, obtiveram financiamentos Starting, Advanced e Consolidator para trabalhar em Portugal.