Saltar para o conteúdo principal
Breadcrumbs

Entrevista com Presidente da FCT na revista Nature

Tópicos

O presidente da FCT, Miguel Seabra, recentementeeleito por unanimidade para dirigir a Science Europe a partir de setembro de 2014, respondeu a perguntas da revista Nature sobre equilíbrios entre homogeneização e cooperação em investigação na Europa. Salientando o papel que a Science Europe tem desempenhado como uma “terceira voz” (ao lado de governos e da Comissão Europeia) no debate sobre a criação do Espaço Europeu de Investigação (ERA, em inglês), Miguel Seabra explicou que a opinião da organização é de que “a diversidade de sistemas [de investigação] é uma riqueza e não uma desvantagem”, de tal forma que “nós [Science Europe] não partilhamos a visão de um sistema de investigação europeu federalizado, homogéneo, centralizado.”

A entrevista realizou-se enquanto decorria o terceiro encontro anual do Global Research Forum, onde mais de 60 organização de investigação e financiamento à ciência, incluindo a FCT, discutiram medidas para o estabelecimento de uma base comum de financiamento a investigadores em início de carreira, e de acesso aberto a publicações e dados científicos. Sobre este último tema, Miguel Seabra salientou a indiscutível importância do acesso aberto para o avanço da ciência, e chamou a tenção para algumas questões que a Science Europe considera seriamente: flexibilidade nas abordagens adotadas, qualidade dos repositórios e custos associados. A abordagem da organização europeia que liderará é de “compreender as posições envolvidas, sem tomar uma atitude de arrogância”.

Questionado sobre o impacto da austeridade sobre o sistema de investigação português, Miguel Seabra, explicou que “desde 2011, temos [a FCT] sido capazes de pagar os mesmos montantes, ou valores ligeiramente superiores, em resultado de um esforço para melhor utilizar os fundos estruturais europeus para a ciência, que compõem um terço do orçamento da FCT.  Ainda segundo o Presidente da FCT, este esforço contribuirá para responder ao desafio do crescimento do sistema em qualidade, depois de 10 a 20 anos de indiscutível crescimento quantitativo. Os financiamentos estão mais competitivos, “no contexto da crise e do crescimento exponencial da comunidade científica”. A FCT vem introduzindo novas regras, de acordo com os padrões internacionalmente aceites para a revisão por pares, de modo a assegurar maior transparência e rigor nos processo de avaliação.

A Science Europe engloba 50 organizações que apoiam ou realizam investigação científica, de 27 países europeus, representando um orçamento anual de 30 biliões de euros. Criada em outubro de 2011, tem como objetivo promover os interesses coletivos dos seus membros, e criar uma plataforma de colaboração, a nível de políticas de ciência e atividades. Em setembro de 2014 Miguel Seabra sucede como presidente a Paul Boyle (Presidente do Economic and Social Research Council do Reino Unido). O Presidente da Science Europe é eleito pela Assembleia Geral, para um mandato de dois anos.