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Estudo liderado por Investigador FCT revela efeitos diferenciados de fármaco anti-inflamatório na célula

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Desconhece-se o efeito, a nível molecular, de um grande número de fármacos. Esta é a questão que motiva a investigação de Rune Matthiesen, um Investigador FCT dinamarquês, a trabalhar no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular (IPATIMUP) da Universidade do Porto e no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Os suplementos de glucosamina são um exemplo desses fármacos. São uma alternativa popular e segura aos fármacos não-esteroides na redução da dor e da inflamação, e na manutenção de articulações saudáveis. Vários estudos têm sugerido que, além da atenuação da dor e consequente benefício para doentes de osteoartrite, a glucosamina poderá também proteger contra isquemia cardíaca (redução de fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco) e ajudar a destruir células cancerosas. Todavia, apesar dos resultados promissores, está ainda por estabelecer um claro efeito molecular para a glucosamina no tratamento de doenças, devido principalmente à gama de efeitos registados, sobre as células e suas moléculas.

Na mais recente edição da revista Molecular and Cellular Proteomics, Rune e os seus colegas recorreram a novas tecnologias para analisar dados avançados sobre as proteínas existentes nos diferentes compartimentos de determinadas células cancerosas. A equipa desvendou que o tratamento com glucosamina leva a um aumento no transporte de proteínas para os seus destinos. Ao comparar a produção de proteínas e a expressão de genes, concluíram que a glucosamina atua sobre o processo que controla o nascimento, a montagem, o transporte e a degradação das proteínas. Esta observação levou à descoberta interessante e surpreendente de que a glucosamina, em laboratório, protege as células cancerosas utilizadas da ação do fármaco Bortezomib, sugerindo uma análise mais cuidada à relação entre tratamento farmacológico e a alimentação.

Os resultados agora obtidos contribuem para desvendar os mecanismos moleculares e os processos que são ativados nos diferentes compartimentos da célula após tratamento com glucosamina, e podem levar à descoberta de novos alvos para o tratamento de doenças cardiovasculares, diabetes e cancro.

A equipa adoptou uma abordagem global, recorrendo à transcriptómica – a análise de todos os genes que são ativados pela glucosamina (recorrendo a chips de DNA) – e à proteómica  – estudo das modificações em proteínas, induzidas pela glucosamina (através da técnica de espectrometria de massa). Todo os dados em bruto recolhidos neste estudo estão disponíveis em bases de dados de acesso aberto, livremente disponíveis a investigadores de todo o mundo.

Este trabalho foi totalmente financiado pela FCT, através do programa Investigador FCT, vários financiamentos de projetos e uma bolsa de pós-doutoramento, além de o IPATIMUP ser um Laboratório Associado financiado pela FCT. Contribuíram para o estudo vários centros de investigação: o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) forneceu o serviço de chips de DNA, e o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) apoiou as experiências realizadas com citometria de fluxo.