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Investigação financiada pela FCT leva a bolsa da Fundação Gates

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O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) é um dos vencedores do mais recente concurso de bolsas Grand Challenges Exploration, da Fundação Bill & Melinda Gates. Coordenado por Henrique Silveira, e em colaboração com o Centro de Ciências do Mar (CCMAR), as equipas propõem utilizar os cerca de €90.000 de financiamento para desenvolver, para o mosquito Anopheles gambiae, que transmite a malária, uma refeição alternativa à refeição sanguínea convencional. O projeto tornará a criação destes mosquitos no laboratório, para efeitos de controlo da doença ou de investigação, menos dependente da disponibilidade de sangue humano ou animal, logo mais eficaz e mais seguro.

O mosquito Anopheles é um vector de transmissão da malária, pois transporta o parasita causador da doença, Plasmodium, de uma pessoa (ou animal) para outra. Numa picada, o parasita passa no sangue que é sugado, da pessoa infetada para a fêmea Anopheles. No mosquito o parasita cresce e multiplica-se, acumulando-se nas glândulas salivares. Na próxima picada, os parasitas são injetados com a  saliva do mosquito num novo hospedeiro, e inicia-se uma nova infecção.

As fêmeas Anopheles precisam das refeições sanguíneas (obtidas através das picadas) para produzir ovos e assegurar a reprodução. Num projeto financiado pela FCT e coordenado por João Cardoso, do CCMAR, os investigadores identificaram um péptido (pequena proteína) no sangue humano que estimula a reprodução do mosquito. Propõem agora testar este factor numa refeição artificial, com o objetivo de produzir um substituto eficaz à refeição sanguínea.

O péptido que que os investigadores identificaram liga-se aos chamados Receptores Acoplados a Proteínas G (GPCR). Sabe-se que em humanos (e noutros vertebrados), os péptidos e seus receptores participam em vários processos fisiológicos. João Cardoso mostrou já que os receptores também estão presentes em invertebrados, nomeadamente no mosquito Anopheles, e que são ativados por péptidos que circulam no sangue humano. Um dos efeitos da sua ativação é estimular a reprodução dos mosquitos. A bolsa da Fundação Gates permitirá às equipas estudar o mecanismo subjacente a este processo. Se forem bem-sucedidos poderão depois concorrer a um novo financiamento da Fundação Gates – num valor de 1 milhão de dólares – para passar à fase seguinte da investigação. O objetivo último é criar uma refeição artificial que permita a investigadores, em qualquer parte do mundo, criar mosquitos em grande escala, de uma forma eficaz, segura e ética.

O IHMT da Universidade Nova de Lisboa está inserido na unidade Global Health and Tropical Medicine. Esta unidade e o CCMAR, da Universidade do Algarve, contam com financiamento FCT, tendo ambas obtido a classificação de Excelente na última avaliação da FCT. 

O programa Grand Challenges Exploration apoia investigadores em todo o mundo, em projetos inovadores, orientados para a resolução de desafios globais de saúde de desenvolvimento. O projeto liderado por Henrique Silveira é um de mais de 50 financiados na 15ª edição deste programa. 

Imagem: João Cardoso (CCMAR), Henrique Silveira (IHMT), Deborah Power (CCMAR) e Rute Felix (CCMAR).(Créditos: CCMAR, Universidade do Algarve)