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Investigação portuguesa abre caminho no tratamento da tuberculose e doenças relacionadas

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A revista científica Journal of Cell Biology publicou recentemente um estudo liderado por dois investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC), integrado na NOVA Medical School, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa. A investigação descreve o papel de um complexo proteico fundamental para o processo de reparação da membrana celular no contexto da infeção da tuberculose e outras doenças crónicas. O trabalho foi escolhido para integrar a lista Faculty1000, que reúne artigos de elevada importância e potencial.

Na origem do estudo esteve a constatação, por parte dos investigadores da HMS, que as estirpes do patogénico da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) virulentas e não-virulentas provocam ambas uma infeção, embora utilizem mecanismos diferentes. Tanto nas estirpes virulentas como nas não-virulentas, a infeção causa danos na membrana da célula do hospedeiro e a morte celular. No caso de infeção com a forma virulenta do agente patogénico a célula não é capaz de reparar os danos criados na membrana, levando a que o M. tuberculosis infete células vizinhas, propagando a infeção e causando tuberculose fulminante. Por outro lado, no caso de infeção com estirpes não-virulentas, as células também sofrem danos na membrana, mas são capazes de reparar esses danos, pelo que a célula infetada morre mas o microrganismo não se propaga para as células vizinhas.

A descoberta efetuada neste estudo centra-se na identificação da maquinaria envolvida neste processo de reparação da membrana celular, que até aqui não era conhecida, pelo que os investigadores se focaram na caracterização deste processo. Descobriram que a proteína Rab3a, que já tinha sido descrita noutros contextos, tais como sinapses neuronais, revelou ter um papel essencial na reparação da membrana celular, uma vez que na ausência desta proteína a reparação é inibida. Para funcionar, a Rab3a precisa de recrutar efetores, isto é, outras proteínas que se ligam a ela, formando um complexo proteico que se torna assim ativo e funcional na reparação da membrana celular por lisossomas.

Este avanço no conhecimento pode ser aplicado à tuberculose, mas também a outros contextos em que ocorram danos da membrana celular, como é o exemplo a prática de exercício físico. Poderá também ser usado no contexto de algumas doenças raras de sobrecarga lisossomal, para permitir o desenvolvimento de novas terapias baseadas na libertação para o exterior da célula dos conteúdos lisossomais que causam estas doenças.

Otília Vieira e Duarte Barral, investigadores do CEDOC, lideraram este estudo, que contou com a colaboração de investigadores da Universidade de Coimbra e da Harvard Medical School (HMS), tendo sido financiado pelo Programa Harvard Medical School – Portugal.

O CEDOC integra, em conjunto com o iBET, o IPOLFG e o ITQB-UNL, a unidade de I&D chamada o iNOVA4Heath – Programa em Medicina Translacional, financiado pela FCT.

Fonte: NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas.
Imagem: Modelo esquemático do processo de reparação da membrana celular.