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Investigadores do CEDOC identificam novo alvo terapêutico para combater a doença de Huntington

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Uma equipa de investigadores do CEDOC – FCM UNL (Centro de Estudos de Doenças Crónicas, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa) levou a cabo um estudo que indica que níveis elevados de açúcar no organismo aceleram os efeitos das doenças neurodegenerativas, como a doença de Huntington.

Estudos prévios apontavam a hiperglicemia, presente em doentes diabéticos, como aceleradora da degradação das células nervosas do cérebro, por ação da glicação de proteínas. A glicação é uma reação negativa e tóxica que a glicose, em níveis elevados, promove no organismo. Acontece quando hidratos de carbono se ligam a proteínas provocando-lhes modificações que afetam o correto funcionamento das células. Por esta razão, os diabéticos têm uma maior predisposição para desenvolver doenças neurodegenerativas e, consequentemente, apresentam lesões orgânicas irreversíveis.

Usando como modelo a Doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa rara e que afeta as capacidades cognitivas e motoras dos doentes, os investigadores Tiago Outeiro e Hugo Miranda decidiram estudar os efeitos da glicação da proteína huntingtina no cérebro. Através da manipulação dos níveis de açúcar metabolizado em células e leveduras humanas, os cientistas provocaram a glicação de proteínas e observaram um aumento na acumulação da proteína huntingtina, o que conduziu à sua agregação e acelerou a destruição das células nervosas.

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Os investigadores realizaram ainda estudos in vivo em moscas da fruta. Neste caso, a manipulação genética permitiu relacionar os efeitos da glicação com a neurogeneração das moscas e redução do seu tempo de vida.

Os investigadores concluíram por isso que “fatores muito comuns na população como a hiperglicemia, prevalente nos prédiabéticos e diabéticos, têm assim um efeito direto em doenças específicas, como a doença de Huntington, fazendo com que se manifeste precocemente”, conforme referido no Comunicado de Imprensa da NOVA Medical School.

Estando a doença de Huntington associada à agregação de proteínas, os resultados desta investigação abrem assim caminho para se estudar a glicação como um novo alvo para esta patologia.

O estudo desenvolvido foi financiado pela FCT através de bolsas individuais de doutoramento e pós doutoramento e do programa Investigador FCT. 

Investigador responsável: Tiago Outeiro de Cell and Molecular Neuroscience Lab
Artigo original (Nature) “Glycation potentiates neurodegeneration in models of Huntington’s disease